Acessibilidade Comunicacional na Ead: o Ouvintismo Estrutural como Barreira Invisível para Estudantes Surdos
DOI:
https://doi.org/10.18264/eadf.v16i1.2841Palavras-chave:
Libras, Estudantes Surdos, Educação a distância, Acessibilidade comunicacional, Ouvintismo estruturalResumo
O crescimento da educação a distância (EaD) no ensino superior brasileiro tem sido frequentemente associado à ampliação do acesso e à democratização da educação. Entretanto, a expansão dessa modalidade não garante, por si só, condições efetivas de inclusão para estudantes com deficiência, especialmente para estudantes surdos usuários de línguas de sinais. Este artigo analisa a acessibilidade comunicacional na EaD a partir do conceito de ouvintismo estrutural, compreendido como o conjunto de pressupostos institucionais e epistemológicos que naturalizam a audição e a oralidade como parâmetros universais da comunicação e da produção do conhecimento. O estudo adota abordagem teórico-analítica, mobilizando contribuições dos estudos surdos, da linguística crítica e das discussões sobre acessibilidade educacional mediada por tecnologias digitais. Argumenta-se que muitas plataformas e práticas pedagógicas da EaD reproduzem regimes de normalização linguística centrados na escrita alfabética e na oralidade, o que gera barreiras comunicacionais frequentemente invisibilizadas nos debates sobre inclusão educacional. Essas barreiras se manifestam na organização dos ambientes virtuais de aprendizagem, na produção de materiais didáticos e nas formas de interação pedagógica mediadas por tecnologias digitais. Conclui-se que a promoção de uma EaD inclusiva exige o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua de produção de conhecimento e a incorporação de princípios de acessibilidade comunicacional desde o desenho pedagógico das disciplinas e das plataformas educacionais.
Palavras-chave: Educação a distância. Acessibilidade comunicacional. Libras. Estudantes surdos. Ouvintismo estrutural.
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