Avaliando o Desempenho e Custos da Graduação das Instituições Federais de Ensino Superior

Carlos Eduardo Bielschowsky

Resumo


As instituições federais de ensino superior (IFES) vêm sendo taxadas como ineficientes nas atividades de ensino de graduação, cujos principais argumentos são o alto custo médio anual por aluno, altas taxas de evasão e que boa parte de seus alunos pertencem às classes mais favorecidas. Este é o foco principal das críticas frequentemente realizadas na mídia e por agências internacionais, tais como o jornal O Globo e o Banco Mundial, posto que em suas demais atividades de ensino de pós graduação, pesquisa e extensão seu papel tem sido, de maneira geral, reconhecido – até porque respondem, juntamente com as demais universidades estaduais, por 83,8% do total de alunos pós-graduados de todas as IES e realizam a maior parte da produção científica do país. As IFES também são reconhecidas pela importância de suas atividades de extensão, tais como o atendimento à população de seus hospitais universitários, seu protagonismo na formação continuada de professores da educação básica e a importância e excelência de seu ensino técnico e de seus colégios de aplicação. No presente trabalho mostramos que essas críticas ao ensino de graduação das IFES não procedem, que o gasto anual por aluno de graduação das universidades federais é equivalente àquele das IES privadas, que sua taxa média de diplomação é 9,7% superior àquela das universidades privadas e que a maioria de seu concluintes tem renda familiar inferior a 4,5 salários mínimos, sendo que apenas 12% pertencem famílias com renda superior a 10 salários mínimos. Além disso, mostramos, com base no resultado de seus alunos nos exames Enade do ciclo 2015 a 2017, que a qualidade média dos cursos das IFES é bem superior àquela das IES privadas.

 

Palavras-chave: Instituições federais de ensino superior. Universidades federais. Universidades estaduais. Ensino privado. Enade. Perfil socioeconômico. Desempenho. Custo.

Assessing the Performance and Costs of Graduation of the Federal Institutions of Higher Education

Abstract


Federal higher education institutions (IFES) have been labeled as inefficient on undergraduate education activities. The focus of the criticisms frequently made by the media and by international agencies, such as the newspaper O Globo and the World Bank, is the high annual cost per student, high dropout rates,and a good part of their students belong to the upper classes. IFES role have been recognized regarding all the other activities of postgraduation, research and extension because they account, together with the state universities, for 83.8% of the total of postgraduate students of all IFES and they are responsible for a large amount of the country’s scientific literature. IFES are also recognized for the importance of their extension activities, such as providing health care to the population at their teaching hospitals, offering continuing education training to primary education teachers and by the importance and excellence of their technical education and schools. In the present study we show that the e criticisms regarding IFES undergraduate education of do not proceed. The annual expenditure per student is equivalent to the private institutions of higher education, IFES graduation rate is 24% superior compared to others and the majority of their graduates have a family income of less than 4,5 minimum wages, and only 12% belong to families with incomes above 10 minimum wages. In addition, based on the results of their students in Enade exams from 2015 to 2017, we show that courses quality average is higher than others private institutions of higher education.


Keywords: Federal institutes of higher education. Federal universities. State universities. Private education. Enade. Socioeconomic profile. Performance. Cost.


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DOI: https://doi.org/10.18264/eadf.v9i1.828



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