Ensino Remoto Emergencial e Reforma Neoliberal da Educação Brasileira: tecendo relações

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Resumo

A pandemia de COVID-19 exigiu medidas extremas para conter a circulação do vírus e o isolamento social foi a estratégia sanitária que mais se destacou no controle das curvas de contaminação semanal. Essa medida exigiu reorientação do comportamento e das práticas sociais, impondo à população mundial restrições de circulação, exigindo de todos a adaptação às novas formas de se relacionar. Nesse contexto, a escola foi uma das instituições que mais foram afetadas. Com a suspensão do ensino presencial, o ensino remoto emergencial (ERE) foi a solução sugerida pelo Ministério da Educação (MEC) e adotada pelos outros entes federativos. Contudo, sem contar com planejamento pedagógico adequado e sem consultar os agentes envolvidos no processo educacional, o processo de ensino implantado em tempos de reclusão doméstica evidencia a exclusão digital como o maior entrave na implementação desse modelo. Esse texto apresenta uma breve discussão que contempla a implementação do ERE na pandemia como uma estratégia que abre precedentes para a implantação da educação a distância (EaD) como modelo de ensino em conformidade com interesses neoliberais no processo de privatização da educação básica no Brasil. Trata-se de um estudo qualitativo de cunho exploratório que se baseia no conceito de neoliberalismo educacional, de Christian Laval (2019) e dos estudos de Luiz Carlos Freitas (2018) sobre a mercantilização da educação no Brasil.

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Biografia do Autor

Fabio Rapello Alencar, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutorando em Educação Científica, no Departamento de Química Biológica / UFRJ (2020); Mestrado em Educação, Gestão e Difusão em Bioiências pelo Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro / UFRJ (2018). Pós-graduado - MBA - em Marketing Empresarial, pela Universidade Federal Fluminense / UFF (2004) e graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro / UFRJ (1996). Técnico em EAD/Produtor gráfico (2006 - ) no Departamento de Material Impresso do Consórcio CEDERJ / Fundação CECIERJ, onde auxilia na produção de materiais didáticos impressos e digitais para os mais variados projetos, tais como: Graduação a distância (CEDERJ), Pré-Vestibular Social (PVS), CEJA (2012/2015), NOVA EJA - SEEDUC/Governo RJ (2011-2015), entre outros. Colaborador do Laboratório de Ética, Comunicação Científica e Sociedade (LECCS) do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM), do Centro de Ciência da Saúde (CCS), da Universidade Federal do Rio de Janeiro / UFRJ (2019). Área de interesse: políticas educacionais.

Valquiria da Silva Barros, Universidade do Grande Rio

Doutoranda em Humanidades pela Universidade do Grande Rio – Unigranrio; Mestrado em Educação, Gestão e Difusão em Biociências pelo Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro – IBqM/UFRJ; Mestrado em Humanidades pela Universidade do Grande Rio – Unigranrio; Pós-graduação em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – IE/UFRJ; Graduação em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – ICS/UERJ; Graduação em Comunicação Social, habilitação em Produção Editorial, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – ECO/UFRJ; Integrante do Laboratório de Ética em Pesquisa, Comunicação Científica e Sociedade – LECCS

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Publicado

2021-09-16

Como Citar

Alencar, F. R., & Barros, V. da S. . (2021). Ensino Remoto Emergencial e Reforma Neoliberal da Educação Brasileira: tecendo relações. EaD Em Foco, 11(1). Recuperado de https://eademfoco.cecierj.edu.br/index.php/Revista/article/view/1596

Edição

Seção

Artigos Originais

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