Editorial V.7 n.3 - A EaD é para todos

Esteban Lopez Moreno

Resumo


Conduzir uma publicação sobre Educação a Distância requer compreender que esse campo de conhecimento tem natureza dinâmica e que dialoga com outros conteúdos dentro e fora da temática educacional. Esse é o caso do primeiro artigo desta edição, de autoria das professoras Andréia Ribeiro e Zulmara Carvalho, que propõe uma aplicação da Teoria da Solução Inventiva de Problemas (TRIZ) no design educacional de um programa de Educação a Distância. A TRIZ conta com 13 ferramentas que podem ser utilizadas individualmente ou associadas, expandindo suas aplicações; entretanto, na área da educação seu uso é praticamente desconhecido. Segundo as autoras, o uso dessas ferramentas potencializa a criação de um modelo de EaD realmente inovador. Vale conferir.

Em seguida, as autoras Fernanda Cofferri, Marcia Martinez e Tanise Novello realizam um estudo do processo evolutivo entre as gerações baby boomers, X e Y na perspectiva da EaD. Como sugere o título do trabalho – As Gerações na EaD: Realidades que se Conectam –, essas gerações se reconectam por meio da Educação a Distância, o que permite novas reflexões sobre estratégias pedagógicas que atendam às suas especificidades, não só por parte dos estudantes, mas também dos professores e instituições que as preconizam. Afinal, estamos sempre em permanente interação, destacam as autoras.

Os quatro artigos seguintes são estudos de caso. O primeiro deles apresenta os resultados de um curso de especialização da rede estadual de ensino de São Paulo, na modalidade semipresencial, que contribuiu com a formação de mais 600 professores e gestores, envolvendo temas como: deficiências físicas, intelectual e superdotação. Esses são aspectos importantes para a formação do professor e especialmente necessários para atender com qualidade a especificidade de cada estudante. Os autores partilham também as dificuldades dos professores cursistas, todos pertencentes à educação básica, na leitura e confecção do trabalho acadêmico requerido ao final do curso. Esses desafios são bem conhecidos por quem atua na formação de professores e há, conforme finalizam os autores, “urgência em mais pesquisas nesse sentido, a fim de estimular – seja nas políticas públicas, seja pela via do compromisso pessoal dos professores – a busca da superação das lacunas ainda existentes nesse processo, lacunas estas que impactam na qualidade da educação de todos os estudantes brasileiros”.

No artigo seguinte, os autores Edimilson da Silva e Eduardo Costa expõem as “Dificuldades Práticas e Potencialidades no Polo de Teófilo Otoni, em Minas Gerais”. A pesquisa foi realizada no Curso de Administração Pública com os docentes, tutores e alunos, escolhidos por conveniência. Os dados coletados indicaram os seguintes fatores limitantes: a infraestrutura do sistema EaD, material didático e equipe multidisciplinar, enquanto as potencialidades direcionaram-se para: flexibilidade de horários de estudo, possibilidade de adquirir diploma superior e material didático de fácil entendimento, entre outros. Apesar de se apresentar como estudo localizado, a realidade apresentada se reflete em várias regiões.

Em outro curso de Administração a distância, mas em diferentes polos dos Estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, os autores Karin da Silva, João Peixoto e Anderson Pacheco buscaram avaliar as percepções dos egressos quanto à qualidade recebida em seu processo educacional. Os principais resultados apontaram, em linhas gerais, que os diplomados demonstram estar satisfeitos com a experiência, apesar dos preconceitos em relação à qualidade e à seriedade da modalidade a distância, o que é amenizado quando o curso é conduzido por instituições já consolidadas, como a Universidade Federal de Santa Catarina.

No último artigo desta edição, os autores fazem uma ampla investigação sobre os cursos de Licenciatura em Química ofertados na modalidade a distância e presencial em todos os estados brasileiros. Ao todo são 277 cursos que estão em pleno funcionamento no Brasil; 254 deles são na forma presencial e apenas 23 em EaD. Um destaque especial é dado ao Estado de Mato Grosso, onde se localizam alguns dos autores dessa pesquisa, na qual há apenas quatro licenciaturas registradas e apenas uma em EaD. Cabe lembrar que há pouca oferta de professores licenciados em Química no Brasil, e a Educação a Distância é, certamente, uma das grandes possibilidades para sobrepor essa carência.

E assim finalizamos a 3ª edição de 2017, trazendo em nossa capa a belíssima criação do artista Fernando Romero. Depois das intempéries pelas quais passamos nos últimos dois anos, a imagem reflete uma mensagem de inovação, afeto e esperança depositada por meio da EaD, especialmente direcionada aos jovens e para o novo ano que se inicia.

 

Paz e bem em 2018,

Editores.


Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.18264/eadf.v7i3.689



Direitos autorais 2018 Revista EaD em FOCO

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Universidades consorciadas